Uns dias fora e quantas novidades! Amei essa prosa da Luisa, um teste à nossa inteligência, construindo uma história à volta de uma coisinha de nada que quando damos conta nos enlaça nos abraça nos obriga a fazer parte, a correr até ao fim até perder o fôlego e a ler com a sofreguidão de quem atravessou o deserto e se vê não perante uma miragem mas um oásis de verdade.
Se me lembro desses episódios...de joelhos no canto da sala, sabe-se lá de que lado estava a razão, se o engenheiro mandou mesmo fazer os trabalhos se lhe passou pela cabeça e não o disse, se nós na cavaqueira do costume papelinho pra cá e para lá não prestámos atenção. A verdade é que ali ficámos vexame dos vexames, coisa impensável ou improvável nos dias de hoje, perante uma turma que de repente emudeceu que o engenheiro não era de modas levava a disciplina a sério e não admitia atentados à sua autoridade tão ou mais elevada que o seu tamanho até porque estava á vontade, tudo á partida sancionado, os nossos pais arreie-lhe, castigue, não era como agora que não toca no meu filho nem com um dedo como se de seres intangíveis se tratasse.
E porque o engenheiro será sempre um actor principal nestas estórias, eis um daqueles raros momentos com que o genial fotógrafo seja quem tenha sido nos brindou captando com grande sentido de oportunidade o momento exacto em que a comitiva passeando por qualquer aldeia da região foi surpreendida por uma galinha que ou asssustou o engenheiro ou o engenheiro a assustou a ela provocando tal alvoroço e redondas gargalhadas que parecem ecoar ainda nos meus ouvidos.
Saída das fronteiras da minha gaveta depois de tantos anos de escuridão ganha vida neste preciso instante em que passa a fazer parte (também) do vosso imaginário... Apreciem.
Beijo
Natália
