segunda-feira, 12 de julho de 2010

o susto da galinha


Uns dias fora e quantas novidades! Amei essa prosa da Luisa, um teste à nossa inteligência, construindo uma história à volta de uma coisinha de nada que quando damos conta nos enlaça nos abraça nos obriga a fazer parte, a correr até ao fim até perder o fôlego e a ler com a sofreguidão de quem atravessou o deserto e se vê não perante uma miragem mas um oásis de verdade.

Se me lembro desses episódios...de joelhos no canto da sala, sabe-se lá de que lado estava a razão, se o engenheiro mandou mesmo fazer os trabalhos se lhe passou pela cabeça e não o disse, se nós na cavaqueira do costume papelinho pra cá e para lá não prestámos atenção. A verdade é que ali ficámos vexame dos vexames, coisa impensável ou improvável nos dias de hoje, perante uma turma que de repente emudeceu que o engenheiro não era de modas levava a disciplina a sério e não admitia atentados à sua autoridade tão ou mais elevada que o seu tamanho até porque estava á vontade, tudo á partida sancionado, os nossos pais arreie-lhe, castigue, não era como agora que não toca no meu filho nem com um dedo como se de seres intangíveis se tratasse.

E porque o engenheiro será sempre um actor principal nestas estórias, eis um daqueles raros momentos com que o genial fotógrafo seja quem tenha sido nos brindou captando com grande sentido de oportunidade o momento exacto em que a comitiva passeando por qualquer aldeia da região foi surpreendida por uma galinha que ou asssustou o engenheiro ou o engenheiro a assustou a ela provocando tal alvoroço e redondas gargalhadas que parecem ecoar ainda nos meus ouvidos.

Saída das fronteiras da minha gaveta depois de tantos anos de escuridão ganha vida neste preciso instante em que passa a fazer parte (também) do vosso imaginário... Apreciem.

Beijo

Natália

4 comentários:

António Serrano disse...

Uau!!! Que texto!!!
O jeito que havia para escrever e nós aqui à espera!!!
Admirável. Gostei muito. Também da foto, bem oportuna, homenageando um grande Professor, que conheci de perto, logo nos primeiros tempos do Colégio. Com a Lena. Ambos uma saudade.

Maria Luísa Antunes da Silva disse...

Oh minha Natália!... Rimámos outra vez na prosa, no afecto, nas recordações... Era esta mesma sintonia que nos fez tão amigas?... Comovi-me.
A fotografia é genial e agradeço à galinha ter-nos trazido o Sr. Engenheiro da bela gargalhada e à querida Natália ter-se trazido a si para aqui. Minha querida amiga! Xi-coração.

Prohensa, j. adolfo disse...

Menina Natália isso não é uma gaveta, é uma caixinha de surpresas!...
Primeiro a foto, que é excelente, de uma alegria contagiante; depois as memórias que vêm associadas... gostei muito, mesmo, mesmo.

Honorato disse...

Gostei de ler, Natália, mas a fotografia 'não tem preço'. A pose altiva do Eng Ressurreição na sala de aula ditando a matéria na forma de apontamentos ao mesmo tempo que limpava os óculas desfez-se por completo perante a galinha que talvez tenha até feito o tpc.

Dá-nos mais disto que a gente gosta.

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