sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Memórias de Medelim (da professora Júlia Ferreira)

Aqui fica, acabadinho de receber e para publicação, este texto da professora Júlia Ferreira. Leiam e apreciem...

"Aproveito o início do ano, para desejar um BOM 2011 e longa vida ao blog (ou blogue? Não podemos aportuguesar?). 
Desde o Verão que estava para mandar umas palavrinhas, mas… o tempo foi passando e, como os últimos posts têm focado épocas a que sou alheia, tenho deixado andar… 

Mas como «Ano Novo, vida nova», hoje cá vai… 

Ao longo destes anos, tenho-me lembrado muitas vezes dessa terrinha simpática com nome de cartel colombiano, sobretudo quando penso no início da carreira ou quando me encontro com o Zé Rafael (professor de Inglês) e com a Aurelina (professora de Ciências) e recordamos, divertidos, momentos agradáveis da nossa juventude e reflectimos sobre os meandros do acaso que fez com que uma ribatejana do Couço que estudou em Lisboa e um jovem casal (formado por um beirã da Cordinhã e por um alentejano de Estremoz que estudaram em Coimbra) ficassem amigos para o resto da vida… E até momentos menos bons, relativos a guerrilhas com a entidade patronal (porque nós os três estávamos cheios de sangue na guelra e éramos muito refilões…), provocam hoje sonoras gargalhadas aos sexagenários que somos… É assim… o tempo mitifica as coisas e é catártico. 

E era neste pé que estava a minha relação com Medelim. Mas bruscamente no Verão passado, a descoberta do blogue levou-me ao sótão e abriu um baú de onde começaram a sair peças com mais de quarenta anos. 

Fui parar a Medelim por ter respondido a um anúncio «Professor – Precisa-se, etc., etc.», publicado em letras gordas, no Diário de Notícias. Estávamos já em Setembro, a experiência era quase nula e tinha receio de não ser colocada no ensino público. Encontrei-me em Lisboa com o empregador, muitos sorrisos, tudo «nos conformes», e ainda por cima, tudo posto num embrulhinho de papel dourado com lacinhos… Só que, duas semanas depois, fui colocada numa escola pública, na época Escola Industrial e Comercial…, em Lisboa… Mas, adiante que isso é outra história! 

Mas, como palavra era palavra, em Outubro de 1968, na frescura dos 24 anos, assentei arraiais (contrariadíssima e maldizendo a precipitação de não ter sabido esperar…) na Beira Baixa, para leccionar Português e Francês. Tinha um horário lectivo de pôr os cabelos em pé aos professores de hoje, e dividia-me entre Penamacor e Medelim, entre o Externato de Nossa Senhora do Incenso (de manhã) e o Externato do Senhor do Calvário (de tarde), à excepção de quarta ou de quinta-feira, em que fazia o percurso inverso. 

Como a oferta hoteleira não existia na região, fiquei alojada em Medelim, no rés-do-chão da casa de um dos proprietários dos dois externatos, com pensão completa. E aí não me podia queixar: tinha uma bela suite (quarto grande, casa de banho e saleta) e pequeno-almoço servido no quarto pela empregada! A comida era «divinal» (como dizem as personagens queirosianas). Tudo feito a primor pela Helena, a dona da casa, com uma mão de fazer inveja a muito chefe de cozinha. As mordomias pagavam-se, evidentemente, e no meu hotel ficava uma boa parte dos míseros três mil e oitocentos escudos (e mais uns trocos) que recebia mensalmente. Mas que foi vida de rica, que não voltei a ter, lá isso foi! 

Só que, depois de vários anos a viver em cidades, estranhei imenso a vida da província, ainda que as aulas, os meus novos amigos, os livros e os discos que ouvia na minha «aparelhagem» (eufemismo para o gira-discos com altifalante na tampa) me consolassem um pouco da falta da Lisboa que tinha deixado… O Diário de Lisboa, um vespertino que Deus haja, só chegava, por assinatura, no dia seguinte e às vezes dois ou três dias depois… O primeiro período foi terrível e, se não tivesse tido a sorte de ter encontrado o Zé Rafael e a Aurelina, teria sido ainda bem pior. Tinha saudades da família. Sentia falta das sessões do cineclube, dos cinemas, das discussões nos cafés, das sessões de discussão política nas Associações de Estudantes, apesar de haver a Pide… E o Maio de 68 tinha sido há pouco tempo… 

Com todas estas faltas, passava o tempo a desejar fins-de-semana e férias que me permitissem escapar para a capital. Claro que os fins-de-semana eram raros, porque viajar era difícil. A viagem para Lisboa, à sexta-feira, devia ser mais fácil, porque não me lembro dos pormenores, mas a de regresso a Medelim era uma epopeia. Saía de Lisboa às 10 da noite de domingo e chegava à aldeia perto das 8.30, a morrer de sono, mesmo a tempo de apanhar a carrinha para Penamacor. E isto, depois de viajar, em 2ª classe (o dinheiro não dava para mais…), no ronceiro comboio-correio, apinhado de magalas até ao Entroncamento (e às vezes era a única mulher na carruagem…), de chegar a Castelo Branco às 5,30 da madrugada e de esperar pela camioneta que me levaria a Medelim. Essas aulas de segunda-feira eram um desastre (se é que as outras também não o eram, estas eram de certeza bem piores…). Pobres alunos que me aturaram nesses dias! 

Apesar destes queixumes, comecei a adaptar-me e às vezes até gostava de estar na aldeia. Guardo boas memórias da minha passagem por esses cantos remotos da Beira Baixa. As pessoas eram simpáticas, os alunos eram gentis e comecei a tirar partido das coisas que me rodeavam e a apreciar a beleza agreste de Monsanto, de Penha Garcia, a querer saber a história de Belmonte, etc. Com os meus jovens colegas, que tinham carro, fui várias vezes ao cinema a Castelo Branco, a Cáceres, a Coimbra, a Lisboa, percorri as aldeias beirãs e diverti-me na romaria da Senhora do Almurtão de onde trouxe um adufe (que resistiu durante muito tempo e só foi parar ao caixote do lixo quando se desfez de podre). 

As instituições onde trabalhávamos também nos divertiam, porque vivíamos num mundo de equívocos em relação aos títulos dados às pessoas: um «engenheiro» que não era engenheiro, um «tenente» que não era tenente e «doutores» que não eram licenciados… Nesse tempo eu era ainda «bacharel», assim como o professor de Inglês (embora tivéssemos ambos diploma do ensino particular que nos permitia o exercício legal da docência). Julgo que, nessa confusão, só a Aurelina, que já tinha acabado o curso, e os colegas padres tinham direito aos títulos que lhes eram atribuídos… 

A festa de finalistas desse ano em Penamacor, realizada já não sei onde, fez-nos rir a bandeiras despregadas. Para a animação do evento, foram contratadas orquestra (ou conjunto???) e vedetas do nacional cançonetismo de então (de que nós não gostávamos, claro, com as nossas pretensões intelectuais…) e de quem hoje já ninguém fala: Gabriel Cardoso e Maria da Glória. O «Gaby», estilo Marco Paulo e Tony Carreira «avant la lettre», tinha um clube de fãs e punha as meninas a chorar, num desatino! Foi um sucesso! A cantora, depois de exibir o repertório português, para agradar aos jovens, trauteou uma canção inglesa muito em voga (Once upon a time…), mas não encantou os mais velhos. 

Em relação às pessoas com quem trabalhei e convivi, lembro-me bem dos mais ou menos sorridentes colegas padres (Padre Fatela, Padre Manuel, Padre Tarcísio – ou Tarsísio? –), do generoso professor de Física (Galhardo? Barbosa? Ou as duas coisas?) que nos recebia com uma mesa farta, da gentil D. Irene, do bonacheirão senhor «tenente», dos donos da casa onde vivi, do simpático motorista (Zé Maria?), etc. 

Há doze anos, fiz uma romagem de saudade à Beira Baixa. Fui com o meu marido. Ficámos em Castelo Branco, andámos uns dias pelas terras raianas e fomos a Medelim. Queria mostrar-lhe a aldeia e o Externato. Não reconheci ninguém e fiquei triste, ao ver as ruínas do velho colégio e as janelas escancaradas que nos olhavam de órbitas vazias. Sou mesmo uma sentimentalona! 

Nessa altura, lembrei-me com saudade de muita gente. E, ao ler o blogue, voltei a lembrar-me de nomes de alunos e de rostos eternamente adolescentes. Pelos posts, vi que há também quem se recorde de mim, embora nos cinquentões de hoje permaneçam as representações dos adolescentes de outrora, que não se recordam de aspectos que devem fazer parte do perfil de um professor, mas de uma jovem que seguia as «lições» de Mary Quant… E é verdade que gostava de «minis», porque o meu primeiro e o meu segundo carros também foram «minis». 

Eu era muito nova, estava no terceiro ano de trabalho… e sabia ainda pouco. Provavelmente não tinha qualidades pedagógicas, não devo ter ensinado nada de jeito e, por isso, ninguém se lembra das aulas. Deviam ser uma seca, embora eu me esforçasse por fazer o melhor que sabia. De qualquer modo, lembram-se de mim… Já não é mau! 

No entanto, talvez por os autores dos posts terem sido meus alunos de Francês, ninguém faz referência à minha actividade de professora de Português do Ensino Complementar (como então se chamava aos anos correspondentes ao actuais 10º e 11º do secundário) em Penamacor, porque só me referem como professora de Francês. 

Para concluir, aqui fica um agradecimento ao João Adolfo pelo post que me dedicou com a canção da Françoise Hardy e pelos votos de felicidades. 

Por último, e em relação a um post recente sobre professores de Francês, achei muito interessante a descrição que fazem do Iésus. Conheci-o, nos anos 80 (entre 80-85), mas também perdi o contacto. Nessa altura, o Iésus vivia no Porto e éramos ambos orientadores pedagógicos, uma espécie de caixeiros-viajantes da pedagogia, ou seja «ventoinhas», nome pelo qual éramos designados na gíria das escolas. Reuníamo-nos duas ou três vezes por ano, em encontros nacionais, e o Iesus enfiava-nos sempre em travessas e ruelas para nos levar a restaurantes indianos (bons e baratinhos) que só ele conhecia. Conversávamos muito, mas nunca entrámos em pormenores sobre lugares onde tínhamos trabalhado. Por isso, nunca soube da sua passagem por Medelim, nem que tinha sido ele que me tinha substituído. Teria sido bem interessante pôr em comum as nossas vivências docentes por terras raianas, enquanto nos íamos regalando com o caril, as apas, as chamuças, o chacutti, o chutney, o vindalho, o sarapatel e a bebinca... 

Por hoje, vou acabar esta prosa já longa e bem-haja (como se diz entre a boa gente da Beira Baixa) quem teve a ideia do blogue, que me trouxe de volta memórias da juventude!"

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Com votos de um Bom 2011

baile de finalistas 1972/73

   Não, a foto não é da festa da última passagem de ano!... (que isto não está para festas!!!), nem tão pouco da passagem de ano de 1972/73, como se poderia supor pelos números na parede… É, isso sim, do Baile de Finalistas desse mesmo ano lectivo, dos alunos do Externato do Senhor do Calvário de Medelim e do Externato Nossa Senhora do Incenso de Penamacor e realizou-se na Casa do Povo desta vila Beirã. 
   A fazer fé na inscrição, e na seta, o Bar era lá ao fundo ... mas aqui à frente é que temos a rapaziada a abrir garrafas!!!! (Devia ser a hora do Champanhe…) 

   Há aqui muitas caras que já não consigo identificar… Por isso peço, aos que por aqui forem passando e se forem recordando, para irem enviando comentários com as respectivas identificações. 

   Pela parte que me toca avanço já com os rapazes das garrafas: o Milheiro, aqui em 1º plano e de costas, e logo a seguir o Amaral e o Zé de Oliveira…
   E tal como diz o título do "post", e uma vez que este é o primeiro deste ano, aproveito para desejar, a todos quantos por aqui passarem, um Bom Ano de 2011!...

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Padre José Pedro In Memoriam

Chegou-nos, via email, esta missiva que aqui reproduzimos, tal como foi recebida, por considerarmos que é de todo o interesse o testemunho de alguém que conheceu tão bem o fundador do Colégio.

"Subject: Padre José Pedro In Memoriam
Date: Sun, 19 Dec 2010 23:04:48 +0100
Ha varios dias que tento enviar este correio ao vosso blog sem consegui-lo, tento com outra direccion, a ver se assim tenho mais sorte.
Eu sou Isabelle, a mulher de José Martins Gonçalves Pedro. Vivemos juntos durante 24 anos e, para mim, ele segue e sempre seguira vivo. Fiquei muito emocionada quando descubri o vosso blog e tudo o que lá vem. O meu marido e eu guardamos uma recordação muito bonita da nossa visita do 24 de agosto de 1986 a Aldeia do Bispo, Aldeia de João Pires e Medelim e do fantástico recebimento que nos foi dado. Para ele foi, sem lugar a dúvida, um dos dias mais emotivo e feliz da sua vida. Não importa que não haja sido possível levar a cabo a homenagem pública que um de vos tinha em mente porque a melhor homenagem esta nas vossas palavras, nas lembranças que dele tendes.
Eu sou quem melhor o conheceu porque comigo viveu mais tempo de forma continua que com ninguém, inclusive a sua familia mais próxima. Efectivamente, como qualquer ser humano, o meu marido teve os seus êxitos e os seus fracassos mas sempre foi uma boa pessoa, sem maldade. Ele tinha muitas qualidades e também muito gênio. Ele era brilhante, inteligente, idealista, imaginativo, um pouco utopista(mas sem utopistas, o mundo não avança), ávido de aprender, activo e extremada mente generoso, um volcão em perpetua erupção como dizia dele o Padre Miguel. Os seus defeitos eram os das suas qualidades : impulsivo, teimoso, ele não escutava conselhos de ninguém e,por isso fez uns disparates e igualmente deixou-se enganar, até por gente que ele tinha ajudado e que depois mordeu a mão que a tinha sacado do poço. Mas tudo isso ficou atrás. O mais destacavel são as numerosas coisas boas que fez todo a sua vida, a ajuda que prestou sempre que pudia, de forma sincera e desinteressada. O Zé Pedro, o Padre Zé Pedro era dessas pessoas que nunca se esquecem.
O meu marido falava muito da importancia que teve para a fundação do colegio o apoio dos seus pais, a Sra Da Maria Adelaide e o Sr Jeronimo e do Padre Miguel, o seu grande amigo ( que tinha nascido o mesmo dia, 11 de maio, 20 anos antes ; quando se conheceram tinham respectivamente 8 anos e 28 ), bem como destacava o grande trabalho do seu irmão Augusto, mais tarde, como diretor do colegio.
Eu lei muitas vezes "Faleceu o Padre José Pedro" e "A fundação do colegio de Medelim". Bem Hajas por cada uma das vossas palavras.
Estaria muito agradecida se alguém puder facilitar-me uma cópia do jornal de Aldeia do Bispo, "O Xendro" que saiu depois da nossa visita de 1986.
Peço desculpas pelo meu deficiente Português mas faço o que posso.
A todos desejo um bom Natal e um muito feliz 2011."

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Feliz Natal

Feliz NatalPara todos os antigos alunos, professores e funcionários do Colégio, bem como para todos quantos por aqui passam, votos de:

Feliz Natal e Próspero Ano Novo

Nota: A foto, representando a adoração do Menino Jesus pelos Pastores, é de uma pintura a óleo sobre tela incorporada no retábulo da Misericórdia de Proença-a-Velha.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Fotos do 5º Ano/Ano lectivo de 1962/63

Fotos antigas - 1962/63Caros colegas
Fiquei muito feliz quando por mero acaso descobri o nosso Blog, que tenho seguido com regularidade e que já me fez reviver bons momentos da minha juventude.
Os meus Parabéns aos autores da iniciativa.
Fotos antigas - 1962/63
Não estou muito familiarizado com estas coisas, no entanto vou inserir 2 fotos dos alunos do 5º ano, ano lectivo de 1962/63, uma só de rapazes e outra mista.
Desejo a todos os antigos alunos, professores e demais colaboradores do Colégio e respectivas famílias, Um Feliz Natal e um 2011 Fraterno e Solidário.
Tó Pedro

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

De volta aos professores de Francês

    Já por aqui se falou dos meus professores de Francês; no 1.º ano o P. Lamego, no 2.º ano o Eng. Ressurreição e no 3.º ano a Dr.ª Júlia. 
     No 4.º e no 5.º tive o mesmo professor, de que muitos se recordarão pois tinha, também ele, um carisma muito especial. Refiro-me, como muitos certamente já estarão a pensar, ao Dr. Iésus, Iésus Heráclito Gomes, creio que era este o nome completo. Tinha ascendência indiana, era pequeno e franzino mas muito activo, ágil e enérgico... era de facto único… parece que tínhamos professores que eram escolhidos a dedo! 
     Vivia com o Dr. Mesquita, o professor de Inglês que veio substituir o Dr. José Rafael, (para grande desgosto de muitas das nossas colegas…), ali no Bairro Novo junto ao cruzamento das estradas que vão para Idanha-a-Velha e Proença-a-Velha. 

     Uma das histórias que guardo na memória passou-se no 4.º ano, na sala do rés-do-chão, ali em frente às casas da D. Irene e do Eng. Ressurreição e D. Helena. 

     Era hábito do Dr. Iésus sentar-se, de quando em vez, num dos cantos da secretária, em posição tipo Ioga, coisa que ele fazia com relativa facilidade e rapidez… encostava-se à secretária, apoiava as mãos, dava um pulinho e aí ficava ele sentado, sem qualquer interrupção daquilo que estava a dizer, como se nada fosse com ele. 
     Claro que isto chamava a atenção pois não era normal um professor dar a aula sentado em tal posição, mas com o andar do ano acabamos por nos habituar e a determinada altura já ninguém reparava se estava a dar a aula sentado na cadeira ou no canto da secretária… 

     Ora certo dia, já em plena época de chuvadas, o Dr. Iésus apareceu com um gabardine nova, todo bem aperaltado, levando logo as meninas a meterem-se com ele, elogiando a qualidade e a beleza da nova indumentária. Ele a princípio fez que não ligava aos piropos, mas lá acabou por dar conversa, dizendo que tinha comprado a gabardine não por ser bonita e lhe assentar muito bem mas, fundamentalmente, porque era muito boa para esta época, pois tinha um tratamento especial que não deixava entrar gota de água; a chuva caía e deslizava pelo tecido que permanecia sequinho. 

     Passado este pequeno momento de conversa lá se passou à matéria e a aula lá foi avançando até que, a dada altura, o Dr. Iésus se sentou na sua posição predilecta no canto da secretária, coisa a que já ninguém ligava… 
     Aliás saía desta posição com a mesma rapidez e facilidade com que se sentava; as mãos apoiadas na secretária, um pequeno impulso, um pulinho, e aí estava ele de pé no estrado, sem ter interrompido o que estava a dizer… 

     Não foi assim nesse dia… ao pular da secretário calou-se de imediato, e como que paralisou, ao ouvir-se o som de algo a rasgar… pois foi, a gabardine havia ficado presa num prego do tampo da secretária e quando o Dr. Iésus se virou e levantou a parte de trás lá estava, bem visível, um pequeno rasgão em forma de L. 
    Toda a turma olhou de repente, dois ou três não conseguiram suster uma pequena risada, logo abafada perante a cara de desolação do professor… 

     Perante esta situação algumas das meninas começaram de imediato a tentar confortar o professor dizendo-lhe para não se importar porque o rasgão era muito pequeno e que, depois de bem cosido, nem se dava por ele… 
     Contrariamente ao que lhe era habitual demorou um pouco a reagir, mas lá recuperou e ao fim de algum tempo acabou por retorquir: 

     - O que me preocupa não é o notar-se, ou o deixar de se notar, o problema é que agora a gabardine já nunca mais vai ser a mesma, perdeu as suas propriedades de impermeabilidade, ficou com um ponto fraco pelo qual a água poderá a partir de hoje entrar!... 

     Com o tempo é evidente que o Dr. Iésus se esqueceu do problema de impermeabilidade da gabardine, mas nunca mais esqueceu o ocorrido e, a partir desse dia, sempre que queria sentar-se na sua posição favorita demorava uns segundos, primeiro a olhar com atenção, e depois a passar a mão ao de leve pelo tampo da secretária, a certificar-se, não se desse o caso de haver algum prego fora do sítio que pudesse, ao levantar-se, provocar-lhe mais algum dissabor… 

Nada que uma visita a Paris não faça esquecer... e se não puder ser real seja pelo menos em pensamento, através desta canção de Joe Dassin ... e viajemos então até aos campo Elíseos!...
          Aux Champs-Elysées
          Aux Champs-Elysées
          Au soleil, sous la pluie, à midi ou à minuit
          Il y a tout ce que vous voulez
          Aux Champs-Elysées

Joe Dassin - Les Champs-Elysées 1970

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Vídeo do 1º Encontro - 20 Maio de 2006

E se, como referimos na adenda ao post anterior,
...Afinal, o tempo fica / a gente é que vai passando.
Poderemos agora acrescentar que:
... também os edifícios ficam / vão-se é degradando!...

Mas como uma imagem vale mais que mil palavras, sugerimos que visionem o vídeo seguinte, que extraí do DVD oferecido aos participantes no 1º Encontro, e depois digam de vossa justiça...
Nota: As filmagens e a edição vídeo são da responsabilidade do Honorato e do João C. Lisboa.

VISITA DE ESTUDO À CAPITAL DE DISTRITO

Em pleno ano lectivo de 1961 /1962, já não recordo a data certa, houve pausa nas aulas diárias no Colégio de Medelim, para gaudio de todos e sobretudo para aqueles que tiveram a oportunidade de se deslocar à Capital do Distrito. O motivo era uma visita de estudo para os mais avançados... A acompanhar foram muitos mais...Foi um dia diferente e bem passado.
Aqui fica mais uma recordação desses primeiros tempos no Colégio de Medelim.
Vamos lá, rapazes, tentem reconhecer estes veteranos ...já que as colegas, mais comedidas à época, não aparecem na foto, mas nem por isso deixam de ser recordadas com estima.
Mais uma vez quero dizer que, não tendo sido aluno do Colégio de Medelim, alí passei o ano lectivo 61/62, como professor, sempre me assumi como tal . Daí a minha participação muito directa em todas as actividades da "malta". O tempo que alí passei foi curto, mas a saudade não tem limites. Um abraço. Jorge
P.S. Na foto indentifico: Joaquim Curto Vaz (Aldeia do Bispo), Zé Manuel (Águas ), Dionísio Borges (Aldeia do Bispo), Rui Candeias (Aldeia de João Pires ), Manuel Salvado (Medelim), Jorge (Aldeia de João Pires), Saraiva (Benquerença ?); os restantes quem serão ?

sábado, 13 de novembro de 2010

Vídeo do 2º Encontro - 10 Maio 2008

Aqui deixo um pequeno excerto do DVD distribuído a todos os participantes no 2º Encontro, a 10 de Maio de 2008, em Medelim.
As imagens apresentadas foram captadas pelo Honorato Lourenço (Benquerença) e pelo João Costa Lisboa (S. Miguel d'Acha), que preparou o DVD, e mostram alguns momentos do encontro, junto ao antigo edifício do Colégio, e a recepção pela Junta de Freguesia  na Casa de Medelim, onde foi servido um Porto de Honra.


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Adenda:
Depois do 1º Comentário recebido, visionei de novo as imagens e lembrei-me dos versos de um fado, que dizem: Meu Deus, como o tempo passa / Dizemos de quando em quando / Afinal, o tempo fica / A gente é que vai passando.
______________
  António Serrano disse...

O TEMPO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
________________
Depois deste "Comentário" decidi adicionar este vídeo com o fado cantado pela Argentina Santos. Ouçam com atenção e deliciem-se!...

domingo, 31 de outubro de 2010

Récita de Finalistas de 1972/73 (IV)

Récita de Finalistas - 1972/73

Ora cá está a tal foto que eu tinha prometido à Natália, da actuação da famosa banda rock contratada especialmente para actuar na nossa récita de finalistas!... 
Temos da esquerda para a direita: nas teclas, John Toca-Teclas (João Lisboa); na Voz, Little Paul Voz of Cana-Rachada (João Rocha); nas percussões, Jack Arromba-Portas, (Farinha); na viola-solo, Mike Lingrinhas (João Adolfo) e na viola-baixo, George Terror of Cats (Milheiro). 
Aqui os “Five Brutals os ENSI” interpretando “Travellin’ Band” uma música que era também tocada pelos Creedence Clearwater Revival. 
Atentem na qualidade dos instrumentos e, bem assim, da aparelhagem: 
O teclista usa um teclado-virtual, projectado no tampo de uma mesa!... 
O microfone do vocalista é de uma tecnologia ultra-vanguardista, demasiado avançada para a época, e muito pouco visto mesmo nos dias de hoje, feito à base de filamentos sedosos, por isso mesmo facilmente confundível com um pincel de caiador!... 
O baterista arrancou duas travessas às cadeiras e está a tentar rebentar com os tampos das ditas cujas, algo que só algumas bandas do início do 3º milénio tentaram copiar!... 
As violas, ou guitarras como agora teimam em chamar-lhes, são feitas de um material maleável, com claras vantagens ergonómicas e permitindo uma enorme flexibilidade acústico-sonora!... 
Com uma banda destas escusado será dizer que, no final da actuação, os seguranças não conseguiram suster as fãs, que invadiram o palco e provocaram a loucura total!... 
Moral da história, as actuações da banda viriam a ser proibidas, por parte da polícia secreta do estado novo, razão pela qual lhes perdemos o rasto desde essa data… 
Enfim, outros tempos… 

P.S.: Professora Júlia, desta banda faziam parte dois dos seus antigos alunos do 3º ano de 1968/69, o baterista (Farinha da Bemposta) e o viola-solo (João Adolfo de Proença). Aqui estavam a cantar em inglês mas cantavam, com a mesma (falta de) qualidade, em francês, italiano, espanhol…
 Apresento, de seguida, um vídeo da tal versão dos CCR, para quem não se lembrar da música.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Fotos (pouco) antigas do 1º Encontro...

Ontem, à volta com arrumações, encontrei aqui algumas fotos do nosso 1º Encontro, a 20 de Maio de 2006.
Para os que lá estiveram se recordem e para os que gostavam de lá ter estado se roam de inveja, aqui ficam elas...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

DIA DE FESTA NO COLÉGIO

Festa no ColégioMeus caros amigos:

Estamos no primeiro período de aulas neste ano de 2010. É boa altura para recordarmos um Dia de Festa no Colégio de Medelim, no início do ano de 1961...

Um dia de festa, já não me lembro bem por quê, mas lá que sabia bem, sabia.


Fala o Dr. Martins da Cruz junto ao edifício do Colégio e na assistência há muita gente conhecida, professores e alunos. Vamos lá tentar reconhecer alguns... Um abraço amigo.
Jorge Passos

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Colaboração de Adérito Rebello

Recebemos há pouco um mail de um antigo aluno do Colégio de Penamacor, com uma mensagem e uma foto de antigos alunos de Medelim, datada de 1965. Mas o melhor mesmo é verem a foto e o texto respectivo.

"Só há poucos dias por mero acaso tive conhecimento da existência deste blog sobre os Colégios de S. Bartolomeu, Medelim e Penamacor e muitas outras pessoas haverá (antigos alunos ou não) que ignoram a existência deste espaço, para divulgação de documentos, histórias, episódios e outras curiosidades daquela época.

Não frequentei o Colégio de Medelim mas entrei em Penamacor em 1969 e envio aqui uma fotografia datada de 9 de Março de 1965 :
Da esquerda para a direita - Antero M.Rebelo - Severiana ? - Outra rapariga - Fernando R. Elvas.
Cumprimentos para todos e parabéns pela iniciativa.
Com alguma pesquisa e disponibilidade ficarão para mais tarde outras fotos sobre Penamacor.
Adérito Rebello."


Fotos antigas - 1965
Um abraço de boas-vindas ao Adérito!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dia do Professor (Padre Fatela)

Boa noite a todos!
O João Adolfo sugeriu-me que partilhasse convosco o que escrevi sobre o Padre Fatela, meu professor de Português do 3º ao 5º ano dos Liceus, no Colégio de Penamacor (68/69 a 70/71). Ficou uma ligação estranha, mas é só clicarem no título a seguir... .......   ...... (Ah!..., pois é!... Afinal quem contou aquela anedota "picante" ao dr. José Rafael não foi o Padre Albino, não... foi mesmo o Sr. Padre Fatela! Ele mesminho e o próprio... Boa!...)
umdiapormuitosebonsanos...: Dia do Professor: "O meu professor de Português era o Padre António Vieira dos sermões da Semana Santa na Beira Baixa... Foi ele que me explicou que aquilo de ..."

Regresso às aulas II


O primeiro dia de aulas servia para a compra de livros e cadernos e para o primeiro contacto com os professores. Escrevíamos o sumário no caderno diário da disciplina que, invariavelmente constava do número da lição (1ª lição) no início da primeira linha da primeira página, ao meio da linha, a palavra Sumário e no extremo direito a data do dia escrevendo-se nas linhas seguintes o texto que dizia sempre: ‘Apresentação. Alguns conselhos aos alunos’.

O professor definia as linhas de orientação para os meses seguintes incidindo sobre a matéria, o regime disciplinar, a avaliação, o regime de pontos escritos, chamadas escritas, chamadas ao quadro e outras coisas parecidas que se traduziam em anotações na caderneta e que iriam determinar a situação de cada um de nós no fim do ano lectivo. A aula ainda era a brincar mas havia já qualquer coisa de muito sério naquelas palavras iniciais. Mas a gente não ligava muito. A parte dura seria apenas daí a alguns meses. Importante era que a campainha tocasse para podermos gozar de 10 minutos de contacto com os colegas, conversarmos e fumarmos um cigarrito, já que não havia pais por perto e ninguém nos iria importunar por isso. Os intervalos eram a nossa oportunidade de algazarra, de correria pelas escadas, de arrastar carteiras na sala de aula e da reprimenda da D. Irene para quem o dia seria agradável se não houvesse intervalos entre aulas.

A uma aula seguia-se uma outra até ao intervalo maior para o almoço e de tarde a mesma coisa. Não havia tempos livres. Um furo no horário era preenchido com uma aula de estudo com presença obrigatória onde quase sempre estava a D. Irene para nos aturar ou havia disciplinas mais ou menos inventadas para o efeito. Foi o caso do nosso primeiro ano (da minha turma) em que existiam aulas de CIVILIDADE dadas pela saudosa D. Mimi Pires Marques. Eram conselhos sobre a nossa postura em sociedade. Pessoalmente, já não me lembro de nenhum.

E assim se começava um novo ano lectivo.
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